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I feel guilty I have been paying more attention to my other two blogs lately (actually for a long time), the Wooden Box, and No Coração da Floresta (in Portuguese)…

Here´s a link to Since Polonius Only Cared to Advise Laertes, a post I wrote for Women´s Day http://lucianalhullier.wordpress.com/2013/03/08/since-polonius-only-cared-to-advise-laertes/

and a link to Face It, Little Red http://lucianalhullier.wordpress.com/2013/06/05/face-it-little-red/ , a poem included in the Fairy Tales Series.

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New Post at The Wooden Box, for Women´s Day : http://lucianalhullier.wordpress.com/2013/03/08/since-polonius-only-cared-to-advise-laertes/

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March 8, 2013 · 10:45 pm

Eu Voto na Bruxa

 

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“ – Já comemos tudo o que havia em casa, só nos resta meio pão, e com ele acaba a ração. É necessário que as crianças se vão embora; desta vez, porém, os conduziremos mais para o embrenhado da floresta, a fim de que não encontrem o caminho para voltar. Não nos resta outra solução.”  ( Joãozinho e Margarida, Contos e Lendas dos Irmãos Grimm, 1962)

Com essas palavras, a madrasta sela o destino de Hansel e Gretel, ou João e Maria ( ou Margarida, em algumas traduções). Com a escassez de alimentos até para si, os pais decidem abandonar os filhos na floresta, mesmo sabendo dos perigos que lá se escondem.  A solução parte da madrasta (mãe nas versões coletadas pelos Grimm e depois modificada para madrasta pelos próprios), mas o desconforto inicial com a situação de pobreza é do pai, que recorre à esposa para que lhe diga o que fazer. Na primeira tentativa as crianças acham o caminho de volta seguindo uma rota de pedriscos traçada por Joãozinho. Na segunda isso não acontece, pois o menino usa pedaços do pão que teria como alimento para aquele dia para traçar uma nova rota, e as migalhas do pão acabam sendo comidas pelos pássaros.

Com fome e assustadas, as crianças deparam-se com uma casa diferente, toda feita de guloseimas. Imediatamente começam a comer os pedaços da casa e são surpreendidos por uma simpática velhinha, que os acolhe e os convida a permanecer com ela. Passado o primeiro dia, a atitude da velha muda, e faz de Maria sua escrava e de João seu prisioneiro, para que engorde e possa virar seu jantar.  As crianças conseguem ludibriar e matar a bruxa queimada no forno, pegar seus tesouros, fugir, achar o caminho de volta e viver com o pai, pois a madrasta havia morrido. Ao chegarem em casa com os tesouros, todos os problemas acabam e vivem felizes para sempre.

Crianças embrenhadas na floresta não são novidade nos contos populares. Chapeuzinho Vermelho tomou o caminho da floresta. Entretanto, a diferença principal entre Chapeuzinho Vermelho e João e Maria, é a de que Chapeuzinho entra na floresta porque quer e João e Maria lá são abandonados pelos próprios pais.

A negligência paterna é dolorosa, mas a negligência materna é devastadora. A mãe é o alimento, inicialmente concreto e mais tarde simbólico, dos filhos. O olhar da mãe para o filho é o que o empurra adiante ou o puxa para trás. Usando de simbolismo, quando uma mãe se nega a alimentar os filhos em detrimento de suas próprias vontades e os abandona à própria sorte, a bruxa da floresta os recebe e os põe à prova.

A bruxa de João e Maria é a típica bruxa de histórias infantis. De aparência castigada e desleixada, no princípio fingindo ser boazinha como uma avozinha, mas revelando-se cruel e sem piedade logo em seguida, essa velha antropófaga herdou muito de sua ancestral Baba Yaga, personagem característica do folclore eslavo, mas que tem suas origens nas divindades pagãs.

Baba Yaga é às vezes vilã, e às vezes uma fonte de esperança; há histórias nas quais ela ajuda as pessoas em suas buscas e há outras em que ela as captura e ameaça comê-las. Buscar seu auxílio é geralmente muito arriscado. No entanto, os que conseguem sobreviver ao encontro saem transformados.  

Entre o abandono dos pais e as provações da Baba Yaga dos Irmãos Grimm, as crianças vão tentando sobreviver, usando de meios que aprenderam com os próprios adultos, como a mentira e o roubo. A bruxa finge que não vê (na história ela é cega) e vai deixando que eles encontrem um meio de resolver seu problema. Ironicamente, a bruxa cega foi o único adulto que os “enxergou”, que reconheceu sua presença, com eles interagiu e colocou-lhes limites. Ao estilo de bruxa, mas enfim…

A relevância dessa história nos dias de hoje se encontra no que ela simboliza: adultos incapazes de cuidar de si mesmos (não no aspecto financeiro, mas emocional) que decidem ter filhos e depois os abandonam emocionalmente, pois simplesmente não conseguem dar o que não possuem.  Ou seja, a exemplo dos pais de João e Maria, se não conseguem dar conta de sua vida adulta, se não conseguem ser pai/mãe de si mesmos (se não há “alimento” para eles próprios) não há maneira que consigam fazê-lo para outras pessoas. E o resultado é que as crianças são abandonadas em suas florestas escuras interiores sem saber como trilhá-las, na iminência de encontrarem-se com feras e bruxas, ou seja, com medos, dúvidas e com a auto-destruição. Exigir de uma criança que dê conta de sua própria caminhada sem ensinar-lhe os melhores caminhos e os truques para se proteger é condená-la a acreditar que não há nada de errado em uma casa feita só de doces, e que essa casa está lá só esperando para ser devorada por ela. A criança faminta emocionalmente se joga em tudo que possa saciar sua fome, em tudo que possa compensar o que ela não recebeu. Não interessando a quem as coisas pertençam, a criança faminta as quer para ela, e considera uma injustiça não ter tudo o que quer.

Não existem pais e mães perfeitos. Mas devem existir pais e mães interessados em seus filhos. Devem existir homens e mulheres que exerçam sua vontade ao não querer ter filhos, e não ao tê-los e depois não ampará-los. O mundo está cheio de “pobres crianças ricas”, com tudo o que o dinheiro pode comprar e ajudar a saciar, mas que mendigam por um momento de atenção da mãe ou do pai. Não falo aqui de pais e mães que trabalham mas que mesmo assim têm um momento para os filhos, pois os mesmos são e sempre serão suas pessoas mais queridas. Falo, principalmente, de quem não vê em seus filhos sua grande prioridade na vida, de quem os usa como instrumentos de suas vontades, como propaganda de sua suposta felicidade familiar, comprada no supermercado e exposta nas fotografias.

Uma sociedade formada de Joãos e Marias é uma sociedade doente, estressada, consumidora de pílulas mágicas e de prazeres vazios. É uma sociedade que põe toda a culpa na bruxa.

 

 

 

 

 

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Two Ways

“Two Ways” is my most recent Storybird for ages 4-6

http://storybird.com/books/two-ways/

Hope you enjoy it!

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On Girls and Books

Almost a year ago I was invited to talk about vampires in Literature in an event called “Psychoanalysis and Theater” held by the Psychology School on campus. When the organizer called me she said: we´d like you to speak a little about the Twilight phenomenon among teenagers, especially girls between ages 13 and 20.

We had a great discussion on whether Twilight was really about vampires or it was a love and coming of age story, and vampires were the selling trend. I believe the latter, although a lot of people are concerned about their children reading “those kind of books”, either because of the vampires or because it is not “high literature”.

Quite recently, in another discussion about Literature, a woman whose work I admire, said she had given The Second Sex, by Simone de Beauvoir to her daughter, as a gift for her 13th birthday.

I´m sure she did that out of great love, given the person she is, and maybe her daughter enjoyed it more that her mother wishes her to be a free woman, than the reading itself. I don´t know, but it certainly got me thinking. The Second Sex was a great book for me, and I wish my daughter reads it one day, but I don´t think that giving it to her in her teens will make that happen. Maybe if I hide it from her then, she might be interested.

What should thirteen-year-old girls be reading, if that´s anybody´s business, other than their own? Should we really be “concerned” about what they´re reading? Should we try to intervene and provide them with liberating texts that might help shape the women they  come to be (in our vain imagination)?  Right now, my answer would be NO.

People choose to read certain books for many reasons, all of them having to do with whom they are as individuals. We need stories to take inner journeys, and depending on what´s inside each one of us, the stories will change. It might even be something temporary: a certain genre that helps us find some answers to immediate questions. Of course, we don´t realize it when we choose to read the stories. It happens naturally, if we have the opportunity to choose, that is to say, if books are available and within reach.

Should we recommend books to teenage girls? Yes, if they allow us to. If we´re able to see them as individuals full of life (and hormones), and not as empty canvases. If we´re able to establish a dialogue with them, where we should listen more than talk, then, yes, book recommendations might happen. Both ways.

I´m not very concerned about choosing the correct book to give my or anybody else´s girls as I am about listening to what they have to say, and about helping them look at their lives as their own doing. I want to help them become inquisitive, open-minded individuals.

And then they´ll be able to make their own choices.

Maybe the best thing we can do for our daughters – at any age- regarding books, is to let them read whatever they want to. There´s no experience more liberating than choosing a book with our own hands and savoring it by ourselves in a very special place. Allowing our girls to do that is to set them free. It´s love.

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Independence Day

Today is Independence Day in Brazil. It´s a long story, and it´s in  History books and websites.

Just wanted to share a photo of President Dilma Roussef with her daughter and grandson during Independence parade in Brasilia. (source ZH online )

This is the most beautiful picture I´ve seen of a Brazilian president. Ever. It fills me with hope.

 

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To Father, with Love

This past week I watched True Grit, the recent one, not the one with John Wayne.  A movie with that title has to be watched.

For the people who haven´t watched it, it´s the story of 14-year old Mattie Ross, who wants to avenge her father´s death by capturing his murderer, Tom Chaney. For that she hires a man with “true grit” , U.S. marshal Reuben, Rooster, Cogburn , and is also helped by a Texas ranger called LaBoeuf. I don´t mean  to spoil it, but Mattie is the one with true grit herself, and she ends up inspiring the men who were there to help her in the first place.

It´s not easy to lose a father, but I´m glad that, like Mattie Ross, I was left with enough to face life. I´m glad I had a father who was able to leave me love and courage by his example.  Although I was angry at death for taking him away, I was also thankful at life for having given me him as a father.

Some women are not so lucky, and it´s absolutely not their fault. Some men are not meant to be fathers. That´s all. They´ll hide when most needed, they´ll act as spoiled kings, they´ll beat up their children, they´ll kill them, in their rage.  The news are  full of them. From the man who threw his five year old daughter, alive, from the 6th floor to the one who shot his 18 year-old daughter to death to get the insurance money, there´s a whole list of abusers and killers.

Since today is Father´s Day here in this corner of the world, I´d like to say to all fathers with daughters who happen to stop by that you don´t need to be super heroes. You don´t need to be perfect, rich or handsome. You don´t even need to be young and successful.  But you need to be good enough. You need to be loving enough, and you need to be brave enough.

The best inheritance a girl can get from her dad is, after all, true grit.

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